Empregos após a licença de maternidade: o que saber

Cerca de 43% das mulheres europeias relatam dificuldades em regressar ao mercado de trabalho depois do período de licença parental, segundo dados do Instituto Europeu para a Igualdade de Género. A transição de volta ao emprego levanta dúvidas legais, emocionais e práticas que muitas mães não antecipam. Os empregos após a licença de maternidade envolvem um conjunto de direitos, obstáculos e oportunidades que vale a pena conhecer com antecedência.

Advertisement

O regresso ao trabalho depois de ser mãe não é apenas uma questão de calendário. É um momento que implica reorganizar rotinas, renegociar condições laborais e, por vezes, reinventar uma carreira inteira. Por isso, quanto mais informação tiver antes de dar esse passo, mais segura e preparada estará para enfrentar o processo.

Em Portugal, a legislação laboral oferece um conjunto de proteções específicas para as trabalhadoras em situação pós-licença. No entanto, nem todas as mães conhecem os seus direitos ou sabem como ativá-los perante o empregador. Além disso, o mercado de trabalho mudou consideravelmente nos últimos anos, abrindo novas possibilidades de flexibilidade que antes não existiam.

Advertisement

Este artigo reúne informação prática sobre os seus direitos legais, as melhores estratégias para regressar com confiança e as alternativas disponíveis quando o emprego anterior já não faz sentido para a nova fase da sua vida.

Direitos legais ao regressar ao trabalho após a licença de maternidade

O Código do Trabalho português garante proteção às trabalhadoras que regressam após a licença de maternidade. Primeiro, é importante saber que a trabalhadora tem direito a regressar ao mesmo posto de trabalho ou, caso isso não seja possível, a uma função equivalente com a mesma retribuição. Este direito está consagrado no artigo 129.º do Código do Trabalho.

Além disso, durante o período de amamentação ou aleitamento, a trabalhadora pode ter direito a dispensas diárias para esse efeito. Estas dispensas não implicam perda de remuneração. Portanto, é fundamental comunicar ao empregador a sua intenção de amamentar antes de regressar, para que os ajustes necessários sejam feitos com antecedência.

💬

Receba oportunidades de emprego

A proteção contra o despedimento também é um direito central. Nos 60 dias anteriores e posteriores ao parto, bem como durante toda a licença de maternidade, a trabalhadora beneficia de proteção reforçada contra o despedimento. Qualquer despedimento neste período carece de autorização expressa da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), o organismo público responsável pela fiscalização laboral em Portugal.

“A proteção da maternidade e da paternidade no trabalho é um dos pilares fundamentais da política laboral europeia, garantindo que a parentalidade não penalize o percurso profissional de nenhum trabalhador.” — Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), Portugal

No entanto, muitas trabalhadoras desconhecem que também têm direito a horário de trabalho flexível ou a trabalho a tempo parcial durante o primeiro ano de vida da criança. Este regime pode ser uma solução eficaz para equilibrar as novas responsabilidades familiares com as exigências profissionais. Sempre que possível, formalize este pedido por escrito e guarde uma cópia de toda a correspondência com o empregador.

O que fazer em caso de violação dos seus direitos

Se sentir que os seus direitos estão a ser violados após regressar do trabalho, pode apresentar uma queixa junto da ACT. Além disso, sindicatos e associações de trabalhadores podem oferecer apoio jurídico gratuito ou a custos reduzidos. Não hesite em procurar aconselhamento especializado, pois muitas situações têm resolução quando abordadas corretamente e com documentação adequada.

Estratégias para um regresso bem-sucedido aos empregos após a licença de maternidade

Regressar ao trabalho depois da licença de maternidade exige preparação. Em primeiro lugar, comunique com o seu empregador com antecedência suficiente. Idealmente, contacte-o algumas semanas antes do fim da licença para definir as condições de regresso, incluindo horário, função e eventuais ajustes necessários.

Em seguida, atualize o seu currículo e perfil profissional, mesmo que regresse à mesma empresa. Durante a licença, pode ter adquirido competências de gestão, organização e resolução de problemas que são altamente valorizadas pelos empregadores. Por isso, não subestime o valor dessa experiência e inclua-a de forma estratégica na sua apresentação profissional.

Além disso, invista em formação antes do regresso. Muitos cursos online permitem aprender ao seu próprio ritmo, mesmo com um bebé em casa. Plataformas certificadas oferecem formações em áreas como marketing digital, contabilidade, programação e gestão de projetos. Ter um certificado novo no currículo demonstra iniciativa e mantém as suas competências atualizadas.

A importância da rede de contactos profissionais

O networking é uma das ferramentas mais poderosas na procura de emprego. Portanto, mantenha os seus contactos profissionais ativos durante a licença. Participe em grupos de LinkedIn, responda a mensagens profissionais e partilhe conteúdos relevantes para a sua área. Quando regressar ao mercado, já estará visível e presente na mente dos seus contactos.

Considere também marcar reuniões informais com ex-colegas ou mentores antes de regressar formalmente. Estas conversas podem fornecer informações valiosas sobre mudanças no setor ou oportunidades disponíveis. Além disso, são uma excelente forma de recuperar a confiança e reativar o pensamento profissional depois de meses focada na maternidade.

Preparar a logística familiar com antecedência

O regresso ao trabalho só é sustentável se a logística familiar estiver organizada. Por isso, assegure-se de que tem uma solução de apoio à criança — creche, ama ou familiar — antes do primeiro dia de trabalho. Além disso, defina com o seu parceiro ou rede de apoio como serão geridas as situações de emergência, como doença da criança. Uma logística bem planeada reduz significativamente o stress do regresso.

Alternativas flexíveis para mães que procuram empregos após a licença de maternidade

O mercado de trabalho atual oferece mais opções de flexibilidade do que nunca. O teletrabalho, o trabalho por conta própria e os modelos híbridos tornaram-se cada vez mais comuns. Para muitas mães, estas alternativas representam a oportunidade de conciliar a vida profissional com as responsabilidades parentais sem abdicar de nenhuma das duas.

O trabalho remoto, em particular, elimina o tempo perdido em deslocações e permite gerir o horário com mais autonomia. No entanto, exige autodisciplina e um espaço de trabalho adequado em casa. Se precisar de investir em equipamento informático para trabalhar a partir de casa, vale a pena ler sobre Como comprar informática e periféricos online com segurança, para garantir que faz escolhas inteligentes e protegidas.

O freelancing é outra alternativa popular entre mães que regressam ao mercado. Permite trabalhar em projetos específicos, definir os próprios horários e escolher os clientes. No entanto, implica uma gestão financeira mais cuidadosa, uma vez que os rendimentos podem ser irregulares. Por isso, é importante criar uma reserva financeira antes de avançar para um modelo totalmente independente.

Fontes de rendimento complementar durante a transição

Durante o período de transição entre a licença e um emprego estável, pode ser útil explorar fontes de rendimento complementar. Existem formas práticas e acessíveis de gerar receita a partir de casa, mesmo com tempo limitado. Por exemplo, pode consultar sugestões como Renda Extra em Casa: 7 Formas Simples para identificar opções adaptadas à sua situação atual.

Estas fontes de rendimento não substituem um emprego a tempo inteiro, mas podem aliviar a pressão financeira enquanto encontra a solução profissional ideal. Além disso, algumas destas atividades podem evoluir para um negócio próprio, dependendo do seu interesse e da procura do mercado.

Como navegar no mercado de trabalho pós-maternidade com confiança

O regresso ao mercado de trabalho depois de ser mãe pode ser acompanhado por insegurança. Muitas mulheres sentem que perderam relevância profissional durante a ausência. No entanto, esta perceção raramente corresponde à realidade. As competências adquiridas durante a maternidade — gestão de tempo, resiliência, capacidade de tomar decisões sob pressão — são diretamente transferíveis para o ambiente profissional.

Além disso, o conceito de maternidade penalty — a penalização salarial e de progressão de carreira associada à maternidade — está a ser cada vez mais combatido por legislação europeia e por políticas de igualdade de género nas empresas. Organizações como a OIT (Organização Internacional do Trabalho) têm publicado recomendações específicas para proteger as trabalhadoras nesta fase da vida.

Por isso, ao procurar emprego, priorize empresas que demonstrem compromisso real com a igualdade de género e com políticas de trabalho flexível. Verifique se a empresa tem políticas de licença parental partilhada, apoio à amamentação e horários adaptáveis. Estes são indicadores de uma cultura organizacional que valoriza genuinamente os seus colaboradores.

O que valorizar numa proposta de emprego após a licença

Nem todas as propostas de emprego são iguais. Ao avaliar oportunidades, considere os seguintes fatores além do salário:

  • Flexibilidade de horário — possibilidade de entrada e saída adaptáveis às necessidades familiares.
  • Possibilidade de teletrabalho — total ou parcial, para reduzir deslocações e ganhar tempo.
  • Política de licenças — apoio em caso de doença da criança ou outras emergências familiares.
  • Progressão de carreira — garantias de que a maternidade não bloqueará promoções ou aumentos.
  • Benefícios sociais — plano de saúde, apoios à creche ou outros benefícios familiares.
  • Cultura organizacional — empresas com diversidade e inclusão genuínas tendem a ser mais acolhedoras para mães trabalhadoras.

Comparação entre modalidades de trabalho para mães

Modalidade Vantagens Desafios
Emprego presencial a tempo inteiro Estabilidade, benefícios sociais, progressão clara Menor flexibilidade, deslocações diárias
Teletrabalho a tempo inteiro Flexibilidade de horário, sem deslocações Isolamento, necessidade de autodisciplina
Modelo híbrido Equilíbrio entre presença e flexibilidade Pode exigir negociação contínua com a entidade empregadora
Trabalho a tempo parcial Mais tempo com a criança, menos stress Rendimento reduzido, menos visibilidade profissional
Freelancing / trabalho independente Total autonomia, escolha de projetos Rendimento irregular, sem proteção social automática

Finalmente, lembre-se de que a transição para os empregos após a licença de maternidade é um processo, não um evento único. Por isso, seja paciente consigo mesma. Algumas adaptações demoram semanas; outras, meses. O importante é avançar com informação, com apoio e com uma estratégia clara que respeite tanto as suas ambições profissionais como a sua nova identidade enquanto mãe.